Sobre a peça
A escultura de parede Reticências parte do princípio de que nem todo começo precisa ter fim. A peça se constrói na sobreposição de interrupções, com formas que sugerem continuidade sendo deliberadamente quebradas para romper a lógica perfeita de todas as coisas.
É um exercício de edição, com remoções e deslocamentos. O olhar persegue arcos e retas que se anunciam, apenas para serem descontinuados logo em seguida. Como se a harmonia morasse no respiro.
O resultado, no entanto, não é um estado incompleto, como se haveria de supor; é a sustentação de um "e se...", a recusa ao ponto final, mantendo viva a potência do que ainda está por vir.
Afinal, quem sabe o que virá depois?